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A história de Eveline, assassinada aos 37 anos pelo marido em Blumenau, reflete uma realidade dolorosa e crescente em Santa Catarina: a dos órfãos do feminicídio. Ao perderem a mãe para a violência e o pai para o sistema prisional — condenado a 20 anos de reclusão —, duas crianças viram suas vidas recomeçarem do zero, amparadas apenas pela resiliência dos avós.
O Impacto nas Vítimas Indiretas
“Eles perderam tudo. Vieram para cá só com a roupinha do corpo”, relembra Ilácia, mãe de Eveline e agora cuidadora dos netos de seis e quatro anos. Além do trauma psicológico, a família enfrenta o desafio de manter viva a memória da mãe sem deixar que a dor paralise o futuro dos pequenos.
Estatísticas: As Lacunas do Mapa do Feminicídio
Os dados oficiais revelam um cenário preocupante sobre a proteção de crianças e adolescentes:
- 45,6% dos casos de feminicídio têm testemunhas presenciais (geralmente os filhos).
- 41,4% dos casos ocorrem sem testemunhas, o que dificulta o rastreio e o apoio a essas vítimas indiretas.
- Falta de políticas públicas: Muitas dessas crianças vivem à margem de serviços de atenção psicossocial e proteção integral.
"A menina que tudo presenciou, hoje com seis anos, sabe escrever apenas três palavras: 'mãe', 'mano' e 'amor'."
O Desafio da Proteção Integral em Santa Catarina
Diferente de muitos casos que caem no esquecimento do Estado, os filhos de Eveline contam com uma rede de apoio familiar robusta. A irmã da vítima, Ingrid, mudou-se para ajudar os pais na criação dos sobrinhos, garantindo que o acompanhamento terapêutico e o afeto sejam constantes.
Eveline era uma mulher independente, alegre e com planos de abrir o próprio negócio. Sua morte, em março de 2024, interrompeu sonhos e deixou um alerta sobre a necessidade urgente de aprimorar os registros oficiais para que nenhum órfão do feminicídio fique desamparado.
Como o Estado deve atuar?
Especialistas e dados do Mapa do Feminicídio indicam que a solução passa por:
- Aprimoramento dos registros: Identificação imediata de dependentes em boletins de ocorrência.
- Atenção Psicossocial: Garantia de terapia contínua e gratuita para crianças que presenciaram o crime.
- Suporte Financeiro: Auxílio para famílias extensas (avós e tios) que assumem a guarda de forma repentina.
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Publicado por:
Portal São Bento
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