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Árvores. Símbolos de vida, de firmeza. Seus galhos sustentam as brincadeiras da infância: de subir ao topo, desafiando os próprios medos, aos balanços que vão para lá e para cá, levando sonhos cada vez mais alto. Suas copas fornecem sombra e abrigo dos raios do sol ou da chuva passageira. Árvores, vida que se mantém e que corre. Árvores jamais deveriam ser convertidas em lembranças de dor, em sepulcros hostis.
O feminicídio de Ana Kémilli Taques Krindges, de 14 anos, em um assentamento no interior do município de Campo Belo do Sul, na Serra catarinense, não apenas ceifou uma vida precocemente: cortou ao meio uma família e uma comunidade inteira, que se viu abalada pelo fato de um homem não ter sido capaz de ouvir um “não”.
Motivado pelo desejo obsessivo e pelas negativas da vítima, ele planejou e executou o feminicídio da jovem com a ajuda da própria irmã e de um adolescente. Encontrada morta, amarrada a uma árvore e coberta por folhas secas, depois de 48 horas de intensas buscas, Kémilli havia sido asfixiada em 8 de fevereiro de 2021 pelo autor do crime, após uma emboscada.
A história da adolescente demonstra o processo de interiorização da violência feminicida em Santa Catarina, no qual a intensidade proporcional do fenômeno se manifesta com maior vigor em territórios de menor densidade demográfica e maior dispersão espacial. Revela, ainda, uma realidade alarmante para as mulheres serranas, que habitam um dos clusters territoriais de incidência – ou seja, áreas nas quais o risco proporcional de feminicídio se manteve acima da média estadual ao longo de toda a série histórica abarcada pelo Mapa do Feminicídio.
A atuação dos Promotores de Justiça Ricardo Paladino e Cassilda Maria de Carvalho Santiago Dallagnolo no Tribunal do Júri levou à condenação do autor do crime a 23 anos e seis meses de prisão por homicídio com quatro qualificadoras (feminicídio, motivo torpe, emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima e meio cruel), ocultação de cadáver e corrupção de menor. A irmã do autor também foi condenada a seis anos de reclusão por homicídio simples.
Para a Promotora de Justiça Cassilda Dallagnolo, “quando a gente para de falar no plenário do júri, a voz da vítima se cala”, afinal, quem defende a vítima é o Ministério Público.
Neste episódio da websérie “Ausências”, a voz de Ana Kémilli, de seus pais, amigos e familiares segue ecoando. Para sempre
Publicado por:
Portal São Bento
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