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Alegre e forte aos olhos de todos, Mônica conviveu por três décadas com violência física, psicológica, moral e sexual. Foi controlada, vigiada e ameaçada e teve sua identidade moldada pelo agressor – dinâmica que dialoga com o que aponta o Mapa do Feminicídio. Seu cotidiano era feito de cobranças, tensão e medo. Uma vida que deixava de lhe pertencer.
Como ocorre na maioria dos casos, essa história não começou com agressões explícitas. A violência foi se instalando aos poucos, quase imperceptível. Primeiro vieram os sinais: o controle, o ciúme, as palavras que desqualificam. Depois, as ameaças, o medo, as agressões. Em seguida, os pedidos de desculpa, os presentes, as promessas de mudança.
Mônica talvez não soubesse, mas sua história seguia a lógica da espiral da violência. A volta da espiral se repete em três fases: a tensão aumenta, a agressão acontece e, em seguida, surge a chamada “lua de mel”, marcada por tentativas de reconciliação, como presentes, jantares e viagens. No caso de Mônica, durou três décadas. A cada volta, uma violência mais intensa, mais frequente e mais difícil de romper.
Segundo o mapa, o uso de álcool ou outras substâncias pelo agressor aparece em cerca de 18,5% dos feminicídios, fator presente na história de Mônica. Ela permaneceu na relação por medo, pelos filhos e pelo isolamento, até o momento em que decidiu colocar um fim, inclusive nas violências. Experimentou a liberdade, mas não a paz. As ameaças continuaram, e ela precisou pedir medida protetiva. Mesmo livre, seus sonhos foram interrompidos.
Em 3 de novembro de 2023, ao chegar ao trabalho no centro de Chapecó, Mônica foi atacada e morta a facadas pelo ex-marido, inconformado com o fim do relacionamento. O caso ainda exemplifica as deficiências do sistema de Justiça na garantia do monitoramento contínuo e da fiscalização das medidas protetivas de urgência, ainda que os feminicídios com medida protetiva prévia não representem a maior parcela dos registros e sejam estatisticamente minoritários.
O assassino foi preso e condenado pelo Tribunal do Júri a 21 anos e quatro meses por homicídio triplamente qualificado, incluindo feminicídio.
Mapa do feminicídio
O Mapa do Feminicídio de Santa Catarina é um retrato inédito e aprofundado da violência letal contra mulheres no estado. A ferramenta reúne dados oficiais e de investigações para mostrar onde, como, quando e em que contextos os feminicídios acontecem, revelando padrões territoriais, dinâmicas recorrentes e fatores de risco.
O estudo analisa o perfil das vítimas e dos agressores, os vínculos entre eles, a existência de violência prévia, o uso de medidas protetivas e as circunstâncias dos crimes. Também evidencia a interiorização dos casos e as regiões com maior incidência, contribuindo para a compreensão de um problema que é estrutural e persistente.
Mais do que números, o mapa transforma dados em informação qualificada, orientando a atuação institucional e ajudando a fortalecer políticas públicas de prevenção, proteção e enfrentamento à violência de gênero.
Publicado por:
Portal São Bento
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