Publicidade
Publicidade

Leia Também:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (15), que a família Bolsonaro teve "ativa colaboração" no processo que resultou na imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos. A declaração foi divulgada em nota oficial da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Segundo o governo federal, a decisão do governo norte-americano representa um dos momentos mais delicados da relação entre Brasil e Estados Unidos nos últimos anos. A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, mecanismo utilizado para investigar práticas consideradas desleais no comércio internacional.

Na nota, o Palácio do Planalto afirma que não existe justificativa para a aplicação das tarifas e destaca que, de acordo com dados do próprio governo dos Estados Unidos, os norte-americanos acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões nas trocas comerciais de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.

O governo também ressaltou que, em 2025, cerca de 76% das importações vindas dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagamento de imposto de importação, enquanto a alíquota média efetivamente cobrada foi de apenas 3,1%.

Defesa do PIX e das plataformas digitais

A nota rebate ainda as críticas feitas pelos Estados Unidos sobre o sistema de pagamentos PIX, a regulação das plataformas digitais e a política ambiental brasileira.

Segundo o governo, o PIX é um patrimônio nacional e uma referência internacional em infraestrutura pública digital. O texto também afirma que o Brasil continuará adotando regras para proteger crianças, famílias e combater crimes praticados nas plataformas digitais.

Em relação ao meio ambiente, o Executivo sustenta que, desde 2023, houve redução significativa do desmatamento em todos os biomas brasileiros.

Governo promete reação

Como resposta ao tarifaço, o governo anunciou que adotará medidas para reduzir os impactos econômicos sobre empresas e trabalhadores brasileiros.

Entre as ações estão:

  • Aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica;
  • Abertura de processo na Organização Mundial do Comércio (OMC);
  • Ampliação de mercados internacionais por meio de acordos do Mercosul com a União Europeia, Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Singapura;
  • Medidas de apoio aos setores afetados por meio do Plano Brasil Soberano.

Críticas à família Bolsonaro

O trecho mais contundente da nota é direcionado à família Bolsonaro. O governo afirma que o resultado das investigações norte-americanas contou com "ativa colaboração" dos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o comunicado, integrantes da família teriam defendido publicamente medidas contra o Brasil por interesses eleitorais.

"É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros", diz a nota.

O governo encerra afirmando que a defesa da soberania nacional deve estar acima das disputas partidárias e garante que continuará adotando medidas para proteger a economia brasileira.