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O Governo Federal anunciou nesta quinta-feira (16) um conjunto de medidas para reduzir os impactos da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O pacote inclui apoio financeiro às empresas, preservação de empregos, incentivo à abertura de novos mercados internacionais e a possibilidade de adoção das medidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica.
As ações foram apresentadas durante entrevista coletiva no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em Brasília, com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros de diversas áreas, do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e representantes do governo federal.
Segundo o governo, o objetivo é proteger a economia brasileira, minimizar os efeitos do tarifaço dos Estados Unidos e garantir competitividade às empresas exportadoras.
Governo prepara plano para apoiar empresas afetadas
Durante a coletiva, o vice-presidente Geraldo Alckmin informou que o governo está estruturando um programa específico para atender os setores mais impactados pelas novas tarifas norte-americanas.
Entre as medidas estudadas estão a ampliação das ações do Plano Brasil Soberano, novas linhas de crédito, apoio financeiro às empresas exportadoras e o fortalecimento das iniciativas de promoção comercial para ampliar a presença dos produtos brasileiros em novos mercados.
Segundo Alckmin, instituições como a ApexBrasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) terão papel importante na estratégia de diversificação das exportações brasileiras.
O vice-presidente também afirmou que, no momento considerado adequado, o governo poderá utilizar os mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, além de retomar o caso junto ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Governo quer preservar empregos
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que o Governo Federal possui instrumentos para preservar empregos e apoiar empresas atingidas pela nova tarifa dos Estados Unidos.
Segundo ele, representantes dos setores afetados participarão de novas reuniões para definir medidas específicas.
Entre as alternativas analisadas estão:
- ampliação do Plano Brasil Soberano;
- novas linhas de crédito;
- financiamento à produção;
- incentivos para manutenção das atividades industriais;
- ações voltadas à preservação dos postos de trabalho.
Apesar dos impactos esperados em alguns segmentos da economia, Durigan afirmou que a avaliação da equipe econômica é de que a medida não compromete a estabilidade macroeconômica do Brasil.
Madeira, móveis, máquinas e calçados estão entre os setores mais afetados
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, informou que alguns setores deverão sentir os efeitos da nova tarifa de forma mais intensa.
Entre eles estão:
- indústria da madeira;
- máquinas e equipamentos elétricos;
- setor moveleiro;
- produtos cerâmicos;
- calçados;
- açúcar.
Segundo o ministro, o foco do governo será reduzir os impactos sobre essas cadeias produtivas e buscar alternativas para ampliar mercados consumidores.
Brasil manteve mais de 30 negociações com os Estados Unidos
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o governo brasileiro realizou mais de 30 contatos oficiais com autoridades norte-americanas desde março de 2025.
As negociações ocorreram em diferentes níveis, incluindo conversas presidenciais, ministeriais e técnicas.
Segundo o chanceler, o Brasil apresentou propostas, participou das consultas promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e manteve disposição permanente para buscar uma solução negociada.
Mesmo após o anúncio da tarifa, Mauro Vieira afirmou que o governo continuará aberto ao diálogo diplomático e comercial.
Banco Central defende o PIX
Outro tema abordado durante a coletiva foi o PIX, citado na investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o PIX é uma infraestrutura pública de pagamentos utilizada pelas instituições financeiras brasileiras e que não prejudicou a concorrência.
Segundo ele, desde a criação do sistema, o mercado brasileiro de cartões de crédito cresceu cerca de 150%, demonstrando que o PIX convive com outros meios de pagamento.
Galípolo informou ainda que mais de 47 autoridades monetárias internacionais mantêm acordos de cooperação com o Banco Central para conhecer a experiência brasileira.
Ele reforçou que o PIX continuará gratuito para pessoas físicas, seguro, instantâneo e em constante evolução tecnológica.
Impacto nas exportações brasileiras
O Ministério do Desenvolvimento apresentou uma estimativa preliminar sobre os efeitos da nova tarifa.
Considerando os dados de exportação de 2024, cerca de 18% das vendas brasileiras aos Estados Unidos seriam atingidas, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões.
Com base nos números de 2025, esse percentual cairia para cerca de 15%, representando US$ 5,8 bilhões em exportações.
Apesar disso, aproximadamente 57% das exportações brasileiras permaneceriam sem incidência da nova tarifa.
Outros 24% já estão sujeitos a medidas específicas adotadas anteriormente pelos Estados Unidos, principalmente nos setores de aço, alumínio e indústria automotiva.
O governo também informou que aproximadamente 2,4 mil empresas brasileiras exportam atualmente para o mercado norte-americano, sendo que cerca de 74% delas já vendem produtos para outros países, o que facilita a estratégia de diversificação dos mercados internacionais.
Governo rebate críticas sobre meio ambiente
Durante a coletiva, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, contestou as informações ambientais utilizadas pelos Estados Unidos durante a investigação comercial.
Segundo ele, toda a madeira exportada pelo Brasil possui certificação e passa por rigoroso sistema de fiscalização.
O ministro também afirmou que o país reduziu em aproximadamente 50% os índices de desmatamento nos últimos três anos.
Combate à corrupção também foi tema da investigação
A secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães, explicou que o Brasil encaminhou informações detalhadas sobre os mecanismos nacionais de prevenção e combate à corrupção.
Segundo ela, os esclarecimentos apresentados pelo governo brasileiro não foram considerados de maneira adequada pelas autoridades norte-americanas durante a conclusão da investigação.
Entenda a investigação comercial dos Estados Unidos
A tarifa adicional foi anunciada após investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.
A investigação analisou temas como:
- PIX e pagamentos digitais;
- regulação das plataformas digitais;
- tarifas comerciais;
- propriedade intelectual;
- políticas ambientais;
- etanol;
- combate à corrupção.
Durante todo o processo, o Brasil apresentou duas manifestações oficiais, participou de consultas em Washington e buscou negociar uma solução diplomática.
Nas audiências públicas promovidas pelo USTR, 63 das 78 manifestações feitas por empresas e entidades dos dois países foram contrárias à aplicação das novas tarifas.
O Governo Federal informou que continuará acompanhando os impactos da medida, mantendo diálogo com os setores produtivos e adotando as providências diplomáticas, comerciais e jurídicas que considerar necessárias para defender os interesses brasileiros.
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