Publicidade
Publicidade

Leia Também:

Ao longo da história, a humanidade enfrentou diversas epidemias e pandemias capazes de atravessar fronteiras, derrubar economias e provocar milhões de mortes. Algumas ocorreram há centenas de anos, quando a medicina ainda não conhecia os mecanismos de transmissão das doenças; outras aconteceram em tempos modernos, quando vacinas, antibióticos e sistemas de saúde já estavam disponíveis.

Determinar quantas pessoas morreram exatamente em cada pandemia é uma tarefa difícil. Em muitos períodos históricos não existiam sistemas confiáveis de registro, e por isso os números apresentados pelos pesquisadores são estimativas.

Entre as maiores tragédias sanitárias da história estão a varíola, a Peste Negra, a gripe espanhola, a pandemia de HIV/AIDS e a COVID-19.

Varíola: centenas de milhões de mortes

A varíola foi uma das doenças infecciosas mais devastadoras da história. Durante séculos, provocou epidemias em diferentes partes do mundo e matou milhões de pessoas.

As estimativas acumuladas apontam para centenas de milhões de mortes ao longo de vários séculos.

A doença também deixou um enorme número de sobreviventes com cicatrizes e, em muitos casos, provocou cegueira e outras sequelas.

A vacinação acabou mudando completamente esse cenário. Após uma campanha mundial de vacinação coordenada pela Organização Mundial da Saúde, a varíola foi declarada oficialmente erradicada em 1980.

Peste Negra: uma das maiores catástrofes da história

Entre 1347 e 1353, a chamada Peste Negra atingiu grande parte da Europa, além de regiões da Ásia e do norte da África.

As estimativas de mortes variam aproximadamente entre 75 milhões e 200 milhões de pessoas, dependendo da fonte e da região considerada.

Na Europa, a doença pode ter provocado a morte de aproximadamente 30% a 50% da população.

A Peste Negra era causada principalmente pela bactéria Yersinia pestis. Na época, porém, não se conheciam as bactérias, os mecanismos de transmissão ou a importância das condições sanitárias.

Gripe Espanhola: até 100 milhões de mortos

Mais de cinco séculos depois da Peste Negra, o mundo enfrentaria outra pandemia devastadora.

A Gripe Espanhola, causada pelo vírus influenza A (H1N1), espalhou-se pelo mundo entre 1918 e 1920.

As estimativas mais citadas apontam para 50 milhões a 100 milhões de mortes.

Um dos aspectos marcantes da pandemia foi o número elevado de mortes entre adultos jovens, além dos grupos tradicionalmente mais vulneráveis, como idosos e crianças.

A pandemia ocorreu no final da Primeira Guerra Mundial, período marcado por deslocamentos de milhões de soldados e condições sanitárias precárias em diversas regiões.

HIV/AIDS: décadas de impacto

A pandemia de HIV/AIDS começou a ser reconhecida mundialmente no início da década de 1980 e continua sendo um dos grandes desafios de saúde pública.

Desde o início da epidemia, cerca de 40 milhões de pessoas morreram por causas relacionadas à AIDS, segundo estimativas internacionais.

Atualmente, os tratamentos antirretrovirais permitem que muitas pessoas vivendo com HIV tenham uma vida longa, além de reduzirem drasticamente o risco de transmissão quando o tratamento é realizado adequadamente.

COVID-19: a pandemia que paralisou o mundo

No final de 2019, uma nova doença causada pelo coronavírus SARS-CoV-2 foi identificada na China. Em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde classificou a COVID-19 como uma pandemia.

Mais de 7 milhões de mortes por COVID-19 foram oficialmente registradas no mundo.

Entretanto, o número real de mortes associadas à pandemia é maior quando são considerados os chamados excessos de mortalidade, que incluem mortes não registradas diretamente como COVID-19 e impactos indiretos da pandemia.

A OMS estimou aproximadamente 14,9 milhões de mortes em excesso associadas à pandemia somente entre 2020 e 2021.

Outras grandes epidemias

A história também registra outras epidemias de enorme impacto, como a Peste de Justiniano, no século VI, a Peste Antonina, no Império Romano, além das pandemias de gripe de 1957 e 1968.

Os números dessas epidemias são ainda mais difíceis de determinar porque ocorreram em períodos nos quais os registros populacionais e médicos eram muito limitados.

Uma história marcada pela luta contra as doenças

As grandes pandemias mostram como as doenças infecciosas foram capazes de alterar profundamente a história da humanidade.

Ao mesmo tempo, a evolução da medicina trouxe ferramentas que mudaram esse cenário: saneamento básico, vacinação, antibióticos, antivirais, sistemas de vigilância epidemiológica e avanços na genética e na biologia.

A erradicação da varíola é um dos maiores exemplos de que uma doença que durante séculos matou milhões de pessoas pode deixar de circular na população mundial.

Números que impressionam

Embora não exista uma classificação definitiva das pandemias mais mortais, algumas das maiores estimativas incluem:

Varíola: centenas de milhões de mortes acumuladas ao longo dos séculos.

Peste Negra: aproximadamente 75 a 200 milhões.

Gripe Espanhola: aproximadamente 50 a 100 milhões.

HIV/AIDS: aproximadamente 40 milhões desde o início da epidemia.

COVID-19: mais de 7 milhões de mortes oficialmente registradas, com estimativas de excesso de mortalidade significativamente maiores.

Os números revelam uma dimensão difícil de imaginar: muito antes das guerras modernas, grandes epidemias já haviam provocado perdas humanas em escala gigantesca.

.

Principais pandemias e epidemias da história

Doença / pandemia Período aproximado Mortes estimadas Observação
Varíola Séculos XVI–XX 300 milhões ou mais Acumulado ao longo de vários séculos
Peste Negra 1347–1353 75–200 milhões Devastou principalmente a Europa
Gripe Espanhola 1918–1920 50–100 milhões Influenza H1N1
HIV/AIDS 1981–atual ~40 milhões Continua sendo uma grande causa de mortalidade
Peste de Justiniano 541–549 25–50 milhões Uma das primeiras grandes pandemias de peste
Terceira pandemia de peste 1855–século XX ~12 milhões Começou na China e espalhou-se internacionalmente
Peste Antonina 165–180 5–10 milhões Atingiu o Império Romano
COVID-19 2019–atual >7 milhões oficiais O excesso de mortalidade foi significativamente maior
Gripe de Hong Kong 1968–1970 1–4 milhões Influenza H3N2
Gripe Asiática 1957–1958 1–2 milhões Influenza H2N2

Nota: as estimativas de doenças antigas apresentam grande margem de incerteza. Além disso, a varíola é diferente das demais da tabela porque os 300 milhões ou mais representam mortes acumuladas ao longo de muitos séculos, e não em uma única pandemia.