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O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) deflagrou, na manhã desta terça-feira (4), a segunda fase da Operação Desmos, que tem como objetivo desarticular a estrutura financeira e operacional de uma facção criminosa com atuação nas regiões Oeste e Meio-Oeste de Santa Catarina.

A ação foi realizada em apoio à 39ª Promotoria de Justiça da Capital e cumpriu 21 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Vara Estadual de Organizações Criminosas, nos municípios de Chapecó, Catanduvas, Xaxim, Herval d’Oeste, Piratuba, Joinville, Xanxerê, Caxambu do Sul e Nova Erechim.

Durante a operação, um homem foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.

Investigação aponta rede de financiamento da facção

A investigação é um desdobramento da Operação Sodalitas Finis e identificou indícios da existência de uma estrutura organizada para arrecadar e movimentar recursos destinados ao financiamento das atividades da organização criminosa.

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina, valores conhecidos como "dízimos" eram recolhidos em diversos municípios e utilizados para custear atividades ilícitas, como o tráfico de drogas, a compra de armamentos e a manutenção da estrutura da facção.

As apurações também apontam que havia uma divisão de funções entre os investigados, envolvendo arrecadação de dinheiro, movimentação financeira e coordenação das atividades criminosas.

Os fatos investigados podem, em tese, configurar os crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Quebra de sigilo e perícia

Além das buscas, a Justiça autorizou a quebra do sigilo de dados telefônicos e telemáticos dos aparelhos eletrônicos eventualmente apreendidos durante a operação.

Todo o material recolhido será encaminhado à Polícia Científica, que realizará a perícia para subsidiar o avanço das investigações.

O procedimento tramita sob sigilo, e novas informações deverão ser divulgadas somente após autorização judicial.

Significado da operação

O nome "Desmos" tem origem na língua grega e significa "elo", "vínculo" ou "conexão". De acordo com o Ministério Público, a denominação faz referência às ligações existentes entre os integrantes da organização criminosa e à rede utilizada para sustentar suas atividades ilícitas. O objetivo da operação é justamente romper esses vínculos e enfraquecer a estrutura financeira da facção.

Atuação estadual

Desde 1º de julho de 2025, a 39ª Promotoria de Justiça da Capital passou a atuar em todo o território catarinense na investigação e processamento de crimes relacionados a facções criminosas.

Importante: a investigação segue em andamento e os investigados têm garantidos o direito ao contraditório e à ampla defesa. Até eventual condenação definitiva, prevalece a presunção de inocência.