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O mar, que tantas vezes é sustento, esperança e rotina para quem vive da pesca, voltou a mostrar sua face mais cruel na manhã desta terça-feira (13), no Arquipélago dos Tamboretes, em São Francisco do Sul.

O que começou como mais um dia de trabalho terminou em dor, despedida e silêncio, após o naufrágio da embarcação de pesca Santa Luzia 3, tripulada por pai e filho, de 57 e 35 anos, moradores do município de Penha.

A embarcação encontrada e o início da angústia

Por volta das 9h49, o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina foi acionado por um pescador local, que avistou uma embarcação à deriva e emborcada, naufragada desde a tarde do dia anterior. A confirmação do pior fez com que equipes de diversas cidades fossem mobilizadas imediatamente.

Segundo informações apuradas, pai e filho haviam saído para a pesca de camarão ainda na sexta-feira (09), por volta das 17h, seguindo para a região norte, próximo à Praia do Ervino. Já na tarde de segunda-feira (12), por motivos ainda desconhecidos, a embarcação acabou virando em alto-mar, a cerca de 4,6 quilômetros da Ilha dos Tamboretes.

Uma noite inteira lutando pela vida

As buscas começaram de forma intensa e coordenada, envolvendo embarcações de Balneário Barra do Sul, Barra Velha, São Francisco do Sul e Itajaí, além da aeronave Águia, da Polícia Militar.

Às 11h, veio o primeiro momento de alívio em meio ao desespero: um dos tripulantes foi localizado com vida, flutuando sobre uma porta de geladeira — um improviso que acabou sendo decisivo para sobreviver.

O homem passou toda a noite no mar, enfrentando o frio, o cansaço e a incerteza. Apesar do extremo desgaste físico e da desidratação, ele estava consciente e orientado no momento do resgate e foi encaminhado ao Hospital Nossa Senhora das Graças, em São Francisco do Sul.

A despedida que ninguém queria encontrar

Enquanto a esperança ainda resistia, as equipes seguiram com as buscas pelo segundo tripulante. A área foi dividida em quadrantes e varrida de forma sistemática, numa corrida contra o tempo e contra o próprio mar.

Às 13h47, pescadores que auxiliavam nas buscas avistaram o corpo do segundo homem, já sem sinais vitais, vestindo roupas de pesca. A informação foi repassada às equipes, e a embarcação BI SARGO realizou o resgate.

O corpo foi levado até o galpão da Secretaria de Pesca de Balneário Barra do Sul, onde permaneceu sob acompanhamento do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, aguardando a chegada da Polícia Científica para os procedimentos legais e o doloroso reconhecimento por parte da família.

Uma tragédia que deixa marcas

O episódio deixa não apenas uma vítima fatal, mas uma família destruída, uma comunidade enlutada e mais um alerta sobre os riscos do mar, mesmo para quem o conhece desde a infância.

Entre a luta pela sobrevivência e a perda irreparável, fica a imagem de um pai e um filho unidos até o fim — e a lembrança de que, no oceano, cada saída é um ato de coragem, mas também de imprevisibilidade.