A angústia e o silêncio pesado seguem marcando as margens do Rio Chapecozinho, em Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina. As buscas pela menina de 9 anos, desaparecida desde o dia 1º de janeiro, continuam mobilizando forças de segurança e voluntários, guiadas principalmente por objetos encontrados presos em galhos ao longo da correnteza — sinais frágeis que mantêm viva a esperança da família, mesmo diante do cenário trágico.
Nesta terça-feira (6), o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) retomou as operações em áreas previamente delimitadas do rio, com base em relatos de familiares e moradores da região. As informações recebidas passaram por análise criteriosa, permitindo o mapeamento de pontos específicos de investigação, considerados relevantes por indícios como odores fortes e objetos flutuantes retidos na vegetação ribeirinha.
Pela manhã, os trabalhos contaram com o apoio de um drone da Defesa Civil de Xanxerê, além do sobrevoo de um helicóptero do Serviço Aeropolicial de Fronteira (SAER). Equipes do CBMSC atuaram em solo, vasculhando trechos de difícil acesso. Já no período da tarde, outra equipe empregou um drone do próprio CBMSC, além do binômio de busca, em um trecho do rio entre os municípios de Entre Rios e Marema.
Apesar do esforço incansável, nenhum novo vestígio da criança foi encontrado ao longo do dia. As áreas vistoriadas acabaram sendo descartadas, aprofundando o sentimento de frustração e tristeza. Segundo os bombeiros, as buscas seguem limitadas pelas condições do local, já que a correnteza é forte e a mata densa dificulta a visibilidade e o avanço das equipes.
Corpo da mãe foi localizado; criança segue desaparecida
A tragédia ganhou contornos ainda mais dolorosos no sábado (3), quando foi localizado o corpo da mãe da criança, uma mulher de 33 anos, que também havia desaparecido no Rio Chapecozinho. O encontro ocorreu nas proximidades da Linha Voltão, no interior de Xanxerê, com apoio aéreo do SAER da Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC).
O corpo foi encontrado preso à margem do rio, em um local de difícil acesso, a cerca de 10 quilômetros do ponto onde ocorreu o acidente, no primeiro dia do ano. As tentativas de acesso começaram por volta do meio-dia, mas somente com o apoio do helicóptero foi possível que parte da equipe chegasse à área, já no fim da tarde, por volta das 16h30.
Ao todo, sete bombeiros atuaram diretamente na ocorrência, com apoio da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC), Polícia Civil (PCSC), Polícia Científica (PCISC) e Defesa Civil. A retirada do corpo foi concluída por volta das 19h, ficando sob responsabilidade da Polícia Científica.
Enquanto as buscas continuam, Xanxerê vive dias de luto e apreensão, marcada pela espera angustiante por respostas e pelo desejo de que a criança seja encontrada, encerrando uma das histórias mais dolorosas deste início de ano em Santa Catarina.

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