Crime aconteceu em março de 2022. Réu asfixiou a vítima até a morte por não aceitar o fim do relacionamento. Ele foi sentenciado a 24 anos de reclusão por homicídio com três qualificadoras: feminicídio, motivo fútil e emprego de asfixia.

 

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Em São Bento do Sul, um homem denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) por tirar a vida da companheira em março de 2022 foi condenado por homicídio triplamente qualificado - feminicídio, motivo fútil e emprego de asfixia. O réu recebeu a pena de 24 anos de reclusão em regime fechado.  

Na decisão, foi mantida a prisão preventiva do acusado. Cabe recurso da sentença, mas o condenado não terá o direito de recorrer em liberdade, pois permaneceu preso durante toda a instrução processual.    

Conforme relata a denúncia da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de São Bento do Sul, no dia 3 de março de 2022, o réu matou a mulher com quem namorava e morava junto há menos de um mês.   

Quando ela resolveu acabar o relacionamento e deixá-lo, o réu pediu ajuda da filha de 15 anos para matar a companheira. Com a recusa da filha, ele iniciou uma briga na residência e asfixiou a vítima até a morte. Além disso, utilizou um garfo de churrasco para desferir diversos golpes no abdômen dela.  

Segundo consta nos autos, o crime foi informado para a Polícia Militar por meio de uma denúncia anônima. Uma guarnição da PM foi até o local e encontrou a filha do réu na residência, onde o corpo também foi encontrado. Nesse momento, a adolescente contou que seu pai havia matado a namorada. Pouco tempo depois, o réu chegou e foi preso.  

O Promotor de Justiça Thiago Ferla, que representou o MPSC na sessão do Tribunal do Júri, sustentou diante do Conselho de Sentença que o crime foi praticado em uma situação de violência doméstica e familiar, ou seja, feminicídio.   

"Além disso, depois de matar, deixou o corpo da vítima em um dos quartos da casa onde residiam enquanto buscava auxílio de um sobrinho e de um irmão para cimentar o corpo em uma residência que o réu possui em outro bairro da cidade", destacou o Promotor de Justiça.   

O crime, de acordo com a instrução processual, foi cometido com asfixia e por motivo fútil, pois o acusado não se conformava com a decisão da namorada de deixar a residência onde moravam.  

Relembre o caso

Uma ligação anônima para a Central de Emergência 190 contribuiu para a Polícia Militar localizar o corpo de Daura de Fátima Nunes Alexandre, na noite de sexta-feira (6), no Loteamento Alpestre, bairro Lençol. A pessoa que avisou a polícia disse que havia ocorrido um homicídio e que o corpo ainda estava no interior da residência.

Durante o atendimento da ocorrência, o autor e mais um homem chegaram em um Palio verde, sendo abordados e presos. O autor declarou que era namorado da mulher e que foi procurado por um ex-namorado da vítima que lhe pediu para ajudar a matá-la e que ele aceitou a cometer o crime. O objetivo era enterrar o corpo no bairro Centenário. O nome do detido não foi repassado para a imprensa

Como estava o corpo
O perito Rogério Aurich, da Polícia Científica de São Bento do Sul, permaneceu no local dos fatos entre 21h30 e 23h30, juntamente com o Instituto Médico Legal (IML) de Joinville. Segundo Rogério, o corpo estava no chão do quarto. Ainda conforme o perito, o local já havia sido desfeito pelos moradores da casa, pelo autor e possivelmente por cúmplices dele.

Foram localizados poucos vestígios de luta corporal, apenas manchas de sangue em um outro quarto, sobre um cobertor e o próprio cadáver, com vestígios de sufocação ou tentativa de sufocação, além de perfurações no abdômen, compatíveis com garfo de churrasco. Rogério coletou um possível instrumento do crime, o qual será encaminhado para laboratório, para ver a possibilidade de encontrar vestígios de sangue.

O corpo de Daura foi sepultamento foi na tarde de domingo (6), no Cemitério Parque da Colina, em Rio Negrinho. Ela tinha 58 anos.