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Quase nove meses após um dos crimes mais violentos registrados em São Bento do Sul, a Justiça deu uma resposta ao caso que abalou toda a comunidade. Nesta terça-feira (14), Arthur Fortes Pereira, de 23 anos, foi condenado a 14 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado, por matar o próprio pai, Juares Pereira, de 54 anos.

O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri da Comarca de São Bento do Sul e foi acompanhado por familiares da vítima, que aguardavam o desfecho do processo desde o crime ocorrido na madrugada de 23 de outubro de 2025, no bairro Serra Alta.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), Arthur matou o pai dentro da residência da família utilizando um objeto semelhante a um halter artesanal (anilha de concreto), usado em exercícios físicos. A vítima sofreu diversos golpes na cabeça e morreu no local.

Segundo a acusação, Juares estava desarmado e chegou a ser atingido quando já estava caído, sem qualquer possibilidade de defesa. A violência foi tão intensa que os impactos provocaram danos no piso da residência.

Durante o julgamento, os jurados reconheceram que o homicídio foi praticado com meio cruel e de forma que dificultou a defesa da vítima, condenando o réu por homicídio qualificado.

Além da pena de prisão, a Justiça determinou o pagamento de R$ 100 mil como indenização mínima por danos morais aos familiares de Juares Pereira.

O juiz também determinou o cumprimento imediato da pena, negando ao condenado o direito de recorrer em liberdade.

Promotoria destaca brutalidade do crime

A promotora de Justiça Gabriela Arenhart, que atuou no julgamento, afirmou que o caso representa um dos episódios mais impactantes levados ao Tribunal do Júri.

"Foi levado a julgamento um acusado de matar o próprio pai. Ele utilizou um halter caseiro para golpear diversas vezes a cabeça da vítima. O fato chocou a sociedade e revela uma brutalidade extrema porque atenta contra os sentimentos mais íntimos de família, de sociedade e de comunidade."

Ela acrescentou que a condenação representa uma resposta da sociedade ao crime e informou que o Ministério Público ainda irá analisar a possibilidade de recorrer para buscar o aumento da pena.

Família diz que Justiça trouxe alívio

Emocionado após o julgamento, o irmão da vítima, Joatan Pereira, afirmou que a condenação ameniza parte da dor vivida pela família.

"Nós estamos vivendo um processo de luto, de perda, perda em dose dupla, mas também estamos com o coração mais aliviado porque sentimos que a justiça foi feita. É isso que a sociedade precisa buscar: que a justiça seja feita pelos órgãos competentes, e não pelas mãos das pessoas. O mais importante é que a família não se dilacerou, mas se fortaleceu porque tinha esperança de que a justiça fosse feita."

Relembre o caso

O crime aconteceu na madrugada de 23 de outubro de 2025, quando Juares Pereira retornou do trabalho e chegou à residência da família, no bairro Serra Alta.

Conforme as investigações, uma discussão entre pai e filho terminou de forma trágica. Arthur Fortes Pereira é acusado de ter utilizado uma anilha de concreto para atacar o pai com vários golpes na cabeça.

Após o homicídio, o próprio filho acionou o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar, permanecendo no local até a chegada das equipes de emergência. Ele foi preso em flagrante e permaneceu detido durante todo o processo.

A relação entre pai e filho, segundo informações apuradas durante a investigação, era marcada por conflitos familiares.

Familiares aguardando o julgamento
Familiares aguardando o julgamento