Espaço para comunicar erros nesta postagem
As Promotorias de Justiça de Florianópolis protocolaram, na última sexta-feira (8/5), o pedido de arquivamento do procedimento que investigava supostos maus-tratos contra o cão Orelha, na Praia Brava. A manifestação de 170 páginas concluiu, com base em perícias científicas, que os adolescentes investigados não agrediram o animal e que a morte do cão foi decorrente de uma doença grave preexistente.
Descompasso temporal nas imagens
O ponto central que mudou o rumo das investigações foi a correção da cronologia dos fatos. Relatórios iniciais sugeriam que o adolescente e o cão permaneceram juntos na praia por 40 minutos. Contudo, o Grupo de Trabalho do MPSC identificou uma defasagem de 30 minutos entre os relógios das câmeras de monitoramento público (Bem-Te-Vi) e as câmeras privadas do condomínio.
Com o ajuste do tempo real, a perícia provou que:
- No momento em que o adolescente estava próximo ao deck, o cão encontrava-se a cerca de 600 metros de distância.
- Não há registros que comprovem a presença do animal na orla da Praia Brava no período da suposta agressão.
- Quase uma hora após o horário presumido da "agressão", o cão apresentava padrão de deslocamento normal, o que afasta a tese de que teria retornado debilitado da praia.
Laudo veterinário confirma doença crônica
A exumação do corpo do cão Orelha descartou qualquer fratura ou lesão óssea compatível com ação humana. O perito veterinário identificou, na verdade, uma osteomielite na região maxilar.
Trata-se de uma infecção óssea grave e crônica, possivelmente ligada a doenças periodontais avançadas. O inchaço no olho esquerdo, registrado em fotos na época, é compatível com o edema causado por essa infecção prolongada e não por pauladas ou chutes.
"Ouvi dizer": O impacto do linchamento virtual
As Promotorias destacaram que a acusação de maus-tratos surgiu de narrativas indiretas, baseadas em boatos de redes sociais e expressões como "ouvi dizer", sem qualquer testemunha direta ou vídeo do ato.
Essa propagação de notícias não verificadas levou à fixação equivocada da autoria e gerou um clima de linchamento virtual. Em virtude disso, o MPSC anunciou desdobramentos para apurar:
- A eventual monetização de conteúdos falsos relacionados ao caso com apoio do CyberGAECO.
- Irregularidades no curso da investigação pela Corregedoria da Polícia Civil.
- Divulgação indevida de informações sigilosas de adolescentes.
Outros casos arquivados
As investigações sobre os cães conhecidos como "Caramelo" também foram arquivadas. As imagens provaram que os jovens estavam apenas brincando com um dos animais e que o outro entrou em um condomínio induzido, sem que os adolescentes sequer tocassem nele.
.
Publicado por:
Portal São Bento
Portal São Bento Notícias criado em 2013, trazendo informações do dia a dia, com seriedade, agilidade. Maior Portal de notícias do Planalto norte de Santa Catarina
Saiba MaisNossas notícias
no celular