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Um ataque hacker de grande escala atingiu, na noite desta quarta-feira (2), os sistemas da empresa C&M Software, que presta serviços de tecnologia para instituições financeiras que operam no Brasil. A ação criminosa resultou no desvio estimado de R$ 1 bilhão. O caso está sendo investigado pela Polícia Federal.

Segundo o Banco Central, o ataque não comprometeu contas de correntistas nem houve vazamento de dados de clientes. Os criminosos acessaram apenas contas reservas, utilizadas exclusivamente para a liquidação de transações entre instituições financeiras.

Para conter o avanço do ataque, o BC suspendeu imediatamente a conexão com a C&M Software, mas autorizou a retomada dos serviços de Pix nesta quinta-feira (3), após a empresa adotar medidas de contenção e reforço na segurança.

Entenda o que são contas reservas

De acordo com o especialista em cibersegurança Theo Brazil, as contas reservas são fundamentais para o funcionamento do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Elas funcionam como uma espécie de conta bancária que os bancos mantêm junto ao Banco Central para fazer a compensação das transações entre si.

"Essas contas permitem que bancos troquem dinheiro entre si dentro do sistema financeiro. O ataque afetou essa estrutura interna, sem atingir o consumidor final", explicou Theo.

Brecha de segurança veio de empresa terceirizada

A C&M Software é uma empresa autorizada desde 2001 a intermediar transações entre instituições financeiras não homologadas e o Banco Central. O especialista explicou que falhas nos sistemas da C&M foram o elo frágil utilizado pelos hackers para realizar o desvio.

“O Banco Central tem segurança de alto nível. O problema foi que uma empresa com autorização para se conectar a ele não manteve o mesmo padrão de proteção. É como uma casa segura que dá uma chave a um prestador de serviço despreparado”, comparou Theo.

Dinheiro pode ter sido convertido em criptomoedas

Segundo as investigações iniciais, os criminosos teriam convertido rapidamente os valores desviados em criptomoedas, dificultando o rastreio dos recursos. A movimentação suspeita foi identificada pelas instituições a partir de anomalias nos padrões de transações digitais.

“Esses ataques geralmente envolvem a conversão em ativos digitais, como o Bitcoin, tornando o dinheiro mais difícil de ser rastreado”, pontuou o especialista.

Ataque pode ter origem internacional

Apesar de o sistema afetado estar hospedado no Brasil, o ataque pode ter sido executado de qualquer lugar do mundo. Theo Brazil não descarta a participação de grupos estrangeiros, mesmo que tenham utilizado servidores nacionais para mascarar a origem do ataque.

A Polícia Federal segue investigando a autoria do crime e apurando se houve falhas na segurança da empresa C&M que possam levar à responsabilização da companhia.